Natureza, Deus e Moda?
Há muito tempo, pelo menos uns 10 anos, (o que na nossa cultura é muito tempo, mas que para o universo não representa nada) que vivo em conflito.Meus interesses idealistas de uma vida menos corrida, e a ânsia pelo resgate da humanidade da cooperação ao invés da competição, da busca pela paz coletiva e da harmonia entre os seres se dão de frente com a contradição quando eu assumo: amo moda. E cada vez mais o tempo passa rápido, o mundo fashion corre solto, e cada vez mais essa minha situação se aprofunda. Quanto mais pesquiso o mundo absurdo da moda, que é também o mais puro capitalismo, consumismo e materialismo cruel, mais fico fascinada pela sua capacidade de também ser bela e transformadora da alma da realidade. Tal como a Natureza.
E aí que me afeta: o que pode ser belo também pode fazer o mundo mais belo. E o que pode ser transformador tem a obrigação de transformar. Aqui no meus sonhos, gostaria de dar uma injeção de lembrança que devemos buscar a consciência e beleza no mundo, como um agradecimento a Deus, fincadas na harmonia, na igualdade, no respeito e na cooperação. Será que isso é possível através da moda? Talvez sim. Talvez não. Mas conhecer a face da “besta”, ou melhor, entender o funcionamento do capitalismo, da babylon-business, nos traz a urgência da responsabilidade de se aplicar imediatamente Deus, a Natureza, a beleza e a harmonia, aí, nas roupas.
Parece claro que a moda não deixa de ser arte. Mas a indústria do vestuário é a segunda maior empregadora do nosso país e é o setor no mundo que a idéia de linha de produção fordista mais deu certo.
Deu certo quer dizer, capitalistamente: mais dinheiro e menos tempo. Mas e o trabalho semi-escravo das grandes marcas?
Onde fica? É belo?
Agora, o que quero dizer é que não podemos esquecer que quem faz a mídia são os informantes, e que a qualidade vem de quem a busca. As roupas podem exercer sua função de protetoras do corpo e podem ser artigos de luxo, mas identificam-nos como seres humanos, e elas talvez possam sim carregar mensagens conscientes e cheias de solidariedade.
Não é a lógica insana do capitalismo que quero quebrar, mas desenvolver peças que diminuam a desigualdade, ah, isso eu quero fazer.
Não é contra essa ideologia maquiavélica e sinistra que quero lutar, mas a favor de uma produção de estilo e moda mais sossegada, voltada pros seres humanos, lembrando a eles do seu verdadeiro lar, a Natureza, sem tanto desperdício e estimulando o amor. Será possível fazer isso? Ainda não sei...
Será possível dar uma injeção de consciência na moda? Poderia ser tão poderoso e legal...
texto por Marietta

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